segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A ALMA

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS.  CAPÍTULO II.
ENCARNAÇÕES DOS ESPÍRITOS. A ALMA.

A alma é um Espírito encarnado, e antes de unir-se ao corpo era um Espírito.
As almas e os Espíritos são, portanto, uma e a mesma coisa.
As almas não são mais que Espíritos. Antes de ligar-se ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, e depois reveste temporariamente um invólucro carnal, para se purificar e esclarecer.
No ser humano além da alma e do corpo, existe o liame que une a alma e o corpo.
A natureza desse liame é semimaterial; quer dizer, um meio-termo entre a natureza do Espírito e a do corpo. E isso é necessário, para que eles possam comunicar-se. E por meio desse liame que o Espírito age sobre a matéria, e vice-versa.
Comentário de Kardec: O ser humano é, assim, formado de três partes essenciais:
1° O corpo, ou ser material, semelhante aos dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2° A alma. Espírito encarnado, do qual o corpo é a habitação;
3° O perispírito. princípio intermediário, substância semimaterial, que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. Tai são num fruto, a semente, a polpa e a casca.
O corpo não é mais que o envoltório do Espírito.
O corpo pode existir sem a alma; e não obstante, desde que o corpo deixa de viver, a alma o abandona. Antes do nascimento não há uma união decisiva entre a alma e o corpo, ao passo que, após o estabelecimento dessa união, a morte do corpo rompe os liames que a unem a ele, e a alma o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo sem vida orgânica.
O nosso corpo, se não tivesse alma, seria uma massa de carne sem inteligência; tudo o que quisermos, menos um ser humano.
O mesmo Espírito não pode encarnar-se de uma vez em dois corpos diferentes.
O Espírito é indivisível e não pode animar simultaneamente duas criaturas diferentes.
A opinião dos que consideram a alma como o princípio da vida material, não passa de simples questão de palavras, com a qual nada temos. Comecemos por nos entendermos.
Alguns Espíritos, e antes deles alguns filósofos, assim definiram a alma: Uma centelha anímica emanada do Grande Todo. Quanto a contradição não existe: tudo depende da significação das palavras.
Comentário de Kardec: A palavra alma é empregada para exprimir as coisas mais diferentes. Uns chamam alma ao principio da vida, e nessa acepção é exato dizer figuradamente, que a alma é uma centelha anímica emanada do Grande Todo. Essas últimas palavras se referem à fonte universal do principio vital, em que cada ser absorve uma porção, que devolve ao todo após a morte. Esta ideia não exclui absolutamente a de um ser moral, distinto, independente da matéria, e que conserva a sua individualidade. É a este ser que se chama igualmente alma. E nesta acepção pode dizer-se que a alma é um Espírito encarnado. Dando da alma diferentes definições, os Espíritos falaram segundo as aplicações que faziam da palavra e segundo as ideias terrestres de que estavam ainda mais ou menos imbuídos. Isso decorre da insuficiência da linguagem humana, que não tem um termo para cada ideia, o que acarreta uma multidão de mal-entendidos e discussões. Eis porque os Espíritos superiores dizem que devemos primeiro, nos entendermos quanto às palavras(1).
O pensamento da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos, presidindo cada uma às diferentes funções do corpo, podemos dizer que isso também depende do sentido que se atribui à palavra alma. Se por ela se entende o fluido vital, está certo; se entende o Espírito encarnado, está errado. Já foi dito que o Espírito é indivisível: ele transmite o movimento aos órgãos através do fluido intermediário, sem por isso se dividir.
Quanto aos Espíritos que deram esta definição, podemos dizer tratar-se de Espíritos ignorantes que podem tomar o efeito pela causa.
Comentário de Kardec: A alma age por meio dos órgãos, e estes são animados pelo fluido vital que se  reparte entre eles, e com mais abundância nos que são os centros ou focos de movimento. Mas essa explicação não pode aplicar-se à alma como sendo o Espírito que habita o corpo durante a vida e o deixa com a morte.
A alma não está encerrada no corpo como o pássaro numa gaiola. Ela irradia e se manifesta no exterior, como a luz através de um globo de vidro ou como o som ao redor de um centro sonoro. É por isso que se pode dizer que ela é exterior, mas não como um envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios: um sutil e leve, o primeiro, que chamamos perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado, que é o corpo. A alma é o centro desses envoltórios.
Dessa outra teoria, segundo a qual na criança, a alma vai se completando a cada período da vida, podemos dizer que o Espírito é apenas um: inteiro na criança, como no adulto; são os órgãos, instrumentos de manifestação da alma, que se desenvolvem e se completam. Isto é ainda tomar o efeito pela causa.
Os Espíritos não definem a alma da mesma maneira, porque os Espíritos não são todos igualmente esclarecidos sobre essas questões. Há Espíritos ainda limitados, que não compreendem as coisas abstraías, como as crianças entre nós. Há também Espíritos pseudossábios, que para se imporem, como acontece ainda entre nós, fazem rodeios de palavras. Além disso, mesmo os Espíritos esclarecidos podem exprimir-se em termos diferentes, que no fundo têm o mesmo valor, sobretudo quando se trata de coisas que a nossa linguagem é incapaz de esclarecer.
Se deve entender por alma do mundo o princípio universal da vida e da inteligência de que nascem as individualidades. Mas os que se servem dessa expressão, frequentemente, não se entendem. A palavra alma tem aplicação tão elástica que cada um a interpreta de acordo com as suas fantasias. Tem-se, às vezes, atribuído uma alma a Terra, e por ela é necessário entender o conjunto dos Espíritos abnegados que dirigem as nossas ações no bom sentido, quando os escutemos, e que são de certa maneira os lugares-tenentes de Deus junto ao nosso globo.
Tantos filósofos antigos e modernos têm longamente discutido sobre a Ciência psicológica, sem chegar à verdade, por que esses seres humanos eram os precursores da doutrina espírita eterna, e prepararam o caminho. Eram seres e puderam enganar-se, porque tomaram pela luz as suas próprias ideias; mas os seus mesmos erros, através dos prós e contras de suas doutrinas, servem para evidenciar a verdade. Aliás, entre esses erros se encontram grandes verdades, que um estudo comparativo nos fará compreender.
A alma não tem no corpo, uma sede determinada e circunscrita. Mas ela se situa mais particularmente na cabeça, entre os grandes gênios e todos aqueles que usam bastante o pensamento, e no coração dos que sentem bastante, dedicando todas as suas ações à Humanidade.
A opinião dos que situam a alma num centro vital, é que o Espírito se encontra de preferência nessa parte do nosso organismo, que é o ponto a que se dirigem todas as sensações. Os que a situam naquilo que consideram como centro da vitalidade, a confundem com fluído ou princípio vital. Não obstante, pode dizer-se que a sede da alma se encontra mais particularmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais.

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.



PROPRIEDADES DA MATÉRIA.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE PRIMEIRA. AS CAUSAS PRIMÁRIAS.  CAPÍTULO II. ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO. PROPRIEDADES DA MATÉRIA.
Da matéria como entendemos, a ponderabilidade é atributo essencial da matéria; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para nós, mas nem por isso deixa de ser o princípio da nossa matéria ponderável.
Comentário de Kardec: A ponderabilidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, da mesma maneira que não há alto nem baixo.
 A matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que consideramos como corpos simples não são verdadeiros elementos, mas transformação da matéria primitiva.
As diferentes propriedades da matéria provem das modificações que as moléculas elementares sofrem, ao se unirem, e em determinadas circunstâncias.
 De acordo com isso, o sabor, o odor, as cores, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos, são modificações de uma única e mesma substância primitiva. E só existem pela disposição dos órgãos destinados a percebê-las.
Comentário de Kardec: Esse princípio é demonstrado pelo fato de nem todos perceberem as qualidades dos corpos da mesma maneira: enquanto um acha uma coisa agradável ao gosto, o outro a acha má; uns vêem azul o que os outros vêem vermelho; o que para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar.
A mesma matéria elementar é suscetível de passar por todas as modificações e adquirir todas as propriedades.
E é isso que devemos entender, quando dizemos que tudo está em tudo(1).
Comentário de Kardec: O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos simples não são mais do que modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade, em que nos encontramos ainda, de remontar de outra maneira, que não pelo pensamento, a essa matéria, esses corpos são para nós verdadeiros elementos, e podemos, sem maiores consequências, considerá-los assim até nova ordem.
 Essa teoria não parece dar razão à opinião dos que não admitem, para a matéria, mais do que dois elementos essenciais: a força e o movimento, entendendo que todas as outras propriedades não são senão efeitos secundários, que variam segundo a intensidade da força e a direção do movimento.
 Falta acrescentar que, também, segundo a disposição das moléculas, como se vê, por exemplo, num corpo opaco que pode tornar-se transparente e vice-versa.
 As moléculas têm uma forma determinada, mas não a podemos apreciar.
Essa forma é constante para as moléculas elementares primitivas, mas variável para as moléculas secundárias, que são aglomerações das primeiras. Isso que chamamos molécula está longe da molécula elementar.

(1) Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores, que consiste em se dar, pela vontade, a uma substancia qualquer, à água, por exemplo, as mais diversas propriedades: um gosto determinado, e mesmo as qualidades ativas de outras substâncias. Só havendo um elemento primitivo, e as modificações dos diferentes corpos sendo apenas modificações desse elemento, resulta que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria. Uma modificação análoga pode produzir-se pela ação magnética, dirigida pela vontade. Assim, a água, que é formada de uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, torna-se corrosiva, se duplicarmos a proporção do oxigênio.
BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


domingo, 15 de outubro de 2017

AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FENÔMENOS DA NATUREZA..

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO IX. INTERVENÇAO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL.
AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FENÔMENOS DA NATUREZA.

Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus, ou seja, os grandes fenômenos da Natureza.
Algumas vezes tem uma razão de serem diretamente relacionados ao ser humano esses fenômenos, mas frequentemente não tem outro objetivo que o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.
Sendo a vontade de Deus a causa primaria de todas as coisas, como podemos saber se os Espíritos podem agir sobre a matéria e que eles são os agentes da vontade de Deus. Podemos dizer que isso não pode ser de outra maneira. Deus não se entrega a uma ação direta sobre a Natureza, mas tem os seus agentes dedicados, em todos os graus da escala dos mundos.
Tão pouco esta destituída de fundamento e esta ainda muito a quem da verdade a Mitologia dos antigos que era inteiramente fundada sobre as ideias espíritas, com a diferença de que consideravam os Espíritos como divindades. Ora, eles nos representavam esses deuses ou esses Espíritos com atribuições especiais. Assim, uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir à vegetação etc.

Pela mesma razão os Espíritos qu





e habitam o interior da Terra e presidindo aos fenômenos geológicos, podemos dizer que esses Espíritos não habitam precisamente a Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos segundo as suas atribuições. Um dia teremos a explicação de todos esses fenômenos e os compreenderemos melhor.
Os Espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza e formam uma categoria especial no mundo espírita, são seres que o serão ou foram encarnados, como nós.
Quanto aos Espíritos que pertencem às ordens superiores ou inferiores da hierarquia espírita, segundo o seu papel se for mais ou menos material ou inteligente; uns mandam, outros executam; os que executam as coisas materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os Espíritos como entre os seres humanos.
Na produção de certos fenômenos das tempestades, são Espíritos que se reúnem e agem em massas inumeráveis.
Quanto aos Espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza se agem com conhecimento de causa em virtude de seu livre-arbítrio, ou por um impulso instintivo e irrefletido, podemos dizer que uns agem
assim e outros, não.
Os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto; enquanto eles ensaiam para a vida, e antes de terem plena consciência de seus atos e de seu livre-arbítrio, agem sobre certos fenômenos de que são agentes sem o  saberem. Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver  desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; mais tarde ainda, poderão dirigir as coisas do mundo moral. É assim que tudo serve tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o nosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto!

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


ESPÍRITO E MATÉRIA.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE PRIMEIRA. AS CAUSAS PRIMÁRIAS.
CAPÍTULO II. ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO. ESPÍRITO E MATÉRIA.

Só Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade, ou foi criada por ele num certo momento.
Há, entretanto, uma coisa que a nossa razão nos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo.
 No nosso ponto de vista, definimos geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, podendo impressionar os sentidos e é impenetrável.
Mas a matéria existe em estados que não percebemos. Ela pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos nossos sentidos: entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para nós.
A definição da matéria é que ela é o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ela usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação.

Comentário de Kardec: De acordo com isto, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário com a ajuda do qual e sobre o qual  o Espírito atua.

O Espírito é o princípio inteligente do universo.
Quanto a sua natureza íntima não é fácil analisar na nossa linguagem. Para nós, ele não é nada, porque não é coisa palpável; mas nenhuma coisa é o nada e o nada não existe.
O Espírito é sinônimo de inteligência, sendo a inteligência um atributo essencial do Espírito; mas um e outro se confundem num princípio comum, de maneira que para nós, são uma e a mesma coisa.
 Quanto ao Espírito se é independente da matéria, ou não é mais do que uma propriedade desta, podemos dizer que são distintos, mas é necessária a união do Espírito e da matéria para dar inteligência a esta.
Esta união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito para nós por que não estamos organizados para perceber o Espírito sem a matéria; Nossos sentidos não foram feitos para isso.
Podemos conhecer o Espírito sem a matéria e a matéria sem este, pelo pensamento.
Assim existem dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito e acima de ambos, Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material é necessário ajuntar o fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, demasiada grosseira para que o Espírito possa exercer alguma ação sobre-ela, embora, de certo ponto de vista, se pudesse considerá-lo como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. Se fosse simplesmente matéria não haveria razão para que o Espírito não o fosse também. Ele esta colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria e matéria; suscetível em suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do Espírito de produzir infinita variedade de coisas, das quais não conhecemos mais do que uma ínfima parte. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.
Podemos considerar esse fluido como designamos por eletricidade, porque ele é suscetível de inumeráveis combinações. O que chamamos fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil, que se pode considerar como independente.
Sendo o espírito em si mesmo alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusões, designarmos esses dois elementos gerais pelas expressões: matéria inerte e matéria inteligente podemos dizer:
Que as palavras pouco nos importam. Cabe a nós formular a nossa linguagem, de maneira a nos entendermos. Nossas disputas provêm, quase sempre, de não nos entendermos sobre as palavras. Porque a nossa linguagem é incompleta para as cosias que não nos tocam os sentidos.

Comentário de Kardec: Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos são desconhecidas. Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, — é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, e é por isso que a consideramos formando dois princípios constituintes do Universo. Vemos acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta inteligência suprema que chamamos Deus.


BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

sábado, 14 de outubro de 2017

ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE PRIMEIRA. AS CAUSAS PRIMÁRIAS. CAPÍTULO I. DOS ESPÍRITOS. ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS.


Podemos definir os Espíritos como seres inteligentes da criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.
Comentário de Kardec:  Nota. — A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente universal
Os Espíritos são seres distintos da Divindade, por que é sua obra, precisamente como acontece com um ser humano que faz uma maquina; esta é obra do ser e não ele mesmo. Sabemos que o ser humano, quando faz uma coisa bela e útil, chama-a sua filha, sua criação.  Pois bem, dá-se o mesmo com Deus: nós somos seus filhos, porque somos sua obra.
Os Espíritos tiveram princípio e se os Espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus; mas, pelo contrário, são sua criação, submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, isso é incontestável; mas quando e como ele nos criou não o sabemos. Podemos dizer que não tivemos princípio, e com isso entendemos que Deus sendo eterno, deva ter criado sem cessar; mas quando e como cada um de nós foi feito, eu repito, ninguém o sabe; isso é mistério.
Uma vez que há dois elementos gerais do Universo, o inteligente e o material. Podemos dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes são formados do material.
Os Espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material; e a maneira dessa formação é que desconhecemos.
A criação dos Espíritos é permanente, o que quer dizer que Deus jamais cessou de criar.
Os Espíritos Deus os criou, como a todas as outras criaturas por sua vontade; mas repito ainda uma vez que a sua origem é um mistério.
Não seria certo dizer que os Espíritos são imateriais, pois não é o termo apropriado; incorpóreo, seria mais exato; pois devemos compreender que sendo uma criação, o Espírito deve ser alguma coisa. É uma matéria para a qual não dispomos de analogias, e tão eterizada que não pode ser percebida pelos nossos sentidos.
Comentário de Kardec: Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos pelo nome de matéria. Um povo de cegos não teria palavras para exprimir a luz e os seus efeitos. O cego de nascença julga ter todas as percepções pelo ouvido, o olfato, o paladar e o tato; não compreende as ideias que lhe seriam dadas pelo sentido que lhe falta. Da mesma maneira, no tocante à essência dos seres super-humanos somos como verdadeiros cegos. Não podemos defini-los, a não ser por meio de comparações sempre imperfeitas ou por um esforço da imaginação.
Os Espíritos revestidos de perispírito são objeto desta referência. Pois sem o Perispírito nada tem de material.
Os Espíritos não tem fim, como tem com coisas que tiveram. Existem muitas coisas que não compreendemos porque a nossa inteligência é limitada; mas isso não é razão para as repelirmos. Exemplo: O filho não compreende tudo o que o pai compreende, nem o ignorante, tudo o que o sábio compreende. Nós te dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim; é tudo quanto podemos dizer.

 BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

INTELIGÊNCIA E INSTINTO.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE PRIMEIRA.  AS CAUSAS PRIMÁRIAS. CAPÍTULO IV. PRINCIPIO VITAL.  INTELIGÊNCIA E INSTINTO.

A inteligência não é um atributo do princípio vital; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.
Comentário de Kardec: A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.
Podemos fazer a seguinte distinção: l.°) os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2.°) os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3.°) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.
A fonte da inteligência é a universal.
 A) Isto não é mais do que uma comparação dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material.
Repetimos isto não é mais do que uma comparação; mas não exala, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabemos, há coisas que não é dado ao ser humano penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.
 O instinto não é independente da inteligência, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.
Não podemos assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro, porque eles frequentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.
Não é acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, à medida que crescem as intelectuais.
O instinto existe sempre, mas o ser humano o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.
a) O porquê a razão não é sempre um guia infalível, pois ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao ser humano escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.
Comentário de Kardec: O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.
O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITO.

PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO I. DOS ESPÍRITOS. DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS.

Os Espíritos não são iguais, são de diferentes ordens, segundo o grau de perfeição a que tenham chegado.
É ilimitado o número dessas ordens, pois não há entre elas uma linha de demarcação traçada como barreira, de maneira  que se podem multiplicar ou restringir as divisões, à vontade. Não obstante, se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais.
Comentário de Kardec:  Na primeira ordem, podemos colocar os que já chegaram à perfeição: os Espíritos puros. Na segunda, estão os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é a sua preocupação. Na terceira, os que estão ainda na base da escala: os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as mais paixões que lhes retardam o desenvolvimento.
Os Espíritos da segunda ordem têm o desejo do bem e terão também o poder de fazê-lo, de acordo com o grau de sua perfeição: uns possuem a ciência; outras a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer.
Os Espíritos da terceira ordem não são todos essencialmente maus; uns não fazem bem nem mal; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo. Há ainda Espíritos levianos ou estouvados, mais travessos do que malignos, que se comprazem mais na malícia do que na maldade, encontrando prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades, das quais se riem.

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.