quinta-feira, 19 de outubro de 2017

ESPÍRITOS ERRANTES.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO VI. VIDA ESPÍRITA. ESPÍRITOS ERRANTES.

A alma reencarna às vezes imediatamente após a separação do corpo, mas, na maioria das vezes, depois de intervalos mais ou menos longos. Nos mundos superiores a reencarnação é quase sempre imediata. A matéria corpórea sendo menos grosseira, o Espírito encarnado goza de quase todas as faculdades do Espírito. Seu estado normal é o dos nossos sonâmbulos lúcidos.
A alma, nos intervalos das encarnações é um
Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera.
A duração desses intervalos pode ser de algumas horas a alguns milhares de séculos. De resto, não existe, propriamente falando, limite extremo determinado para o estado errante, que pode prolongar-se por muito tempo, mas que nunca é perpétuo. O Espírito tem sempre a oportunidade, cedo ou tarde, de recomeçar uma existência que sirva à purificação das anteriores.
 Essa  duração está subordinada a uma consequência do  livre arbítrio do Espírito
 Os Espíritos sabem perfeitamente o que fazem, mas para alguns é também uma punição infligida por Deus. Outros pedem o seu prolongamento para prosseguir estudos que não podem ser feitos com proveito a não ser no estado de Espírito.
A erraticidade não é por si mesma, um sinal de inferioridade entre os Espíritos, pois há Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação é um estado transitório, já foi dito. No seu estado normal, o Espírito é livre da matéria.
Os Espíritos não encarnados nem todos são errantes.
Os que devem reencarnar-se sim; mas os Espíritos puros, que chegam à perfeição, não são errantes: seu estado é definitivo.
Comentário de Kardec: No tocante à suas qualidades intimas, os Espíritos pertencem a diferentes ordens ou graus, pelos quais passam sucessivamente, à medida que se purificam. No tocante ao estado, podem ser encarnados, que quer dizer ligados a um corpo; errantes, ou desligados do corpo material e esperando uma nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros ou perfeitos e não tendo mais necessidade de encarnação.
A maneira que se instruem os Espíritos errantes, é através dos estudos.
Estudam o seu passado e procuram o meio de se elevarem. Veem, observam o que se passa nos lugares que percorrem; escutam os discursos dos seres humanos  esclarecidos e os conselhos dos Espíritos mais elevados que eles, e isso lhes proporciona ideias que não possuíam.
  Nem todos os Espíritos conservam algumas das paixões humanas.
Os Espíritos elevados, ao perderem o seu invólucro, deixam as más paixões e só guardam a do bem; mas os Espíritos inferiores às conservam, pois de outra maneira pertenceriam à primeira ordem.
O porquê os Espíritos, ao deixar a Terra, não abandonam as suas más paixões, desde que veem os seus inconvenientes, damos um exemplo:
No nosso mundo tem pessoas que são excessivamente vaidosas. Será que, ao deixa-lo, perderão este defeito? Após a partida da Terra, sobretudo para aqueles que tiveram paixões bem vivas, resta uma espécie de atmosfera que os envolve guardando todas essas coisas más, pois o Espírito não está inteiramente desprendido. É apenas por momentos que ele se entrevê a verdade, como para mostrar-lhe o bom caminho.
O Espírito no estado errante pode melhorar-se bastante, sempre de acordo com a sua vontade e o seu desejo; mas é na existência corpórea que ele põe em prática as novas ideias adquiridas.
 Os Espíritos errantes são mais ou menos felizes, segundo os seus méritos. Sofrem as paixões cujos germes conservaram, ou são felizes, segundo a sua maior ou menor desmaterialização. No estado errante, o Espírito entrevê o que lhe falta para ser feliz. É assim que ele busca os meios de atingi-lo; mas nem sempre lhe é permitido reencarnar à vontade, e isso é uma punição.
No estado errante, os Espíritos não podem ir a todos os mundos conforme: quando o Espírito deixou o corpo, ainda não está completamente desligado da matéria e pertence ao mundo em que viveu ou a  um mundo do mesmo grau; a menos que, durante sua vida, se tenha elevado. Esse é o objetivo a que deve voltar-se, pois sem isso jamais se aperfeiçoaria. Ele pode, entretanto, ir a alguns mundos superiores, passando por eles como estrangeiro. Nada mais faz do que os entrever, e é isso que lhe dá o desejo de se melhorar para ser digno da felicidade que neles se desfruta e poder  habitá-los.
 Os Espíritos já purificados vêm aos mundos inferiores frequentemente, a fim de ajudá-los a progredir. Sem isso, esses mundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.
BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


MUNDOS TRANSITÓRIOS.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO VI. VIDA ESPÍRITA. MUNDOS TRANSITÓRIOS.

Existem, mundos que servem de estações ou de lugares de repouso aos Espíritos errantes.  Existem sim mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que eles podem habitar temporariamente, espécie de acampamentos, de lugares em que possam repousar de erraticidades muito longas, que são sempre um pouco penosas. São posições intermediárias entre os mundos, graduados de acordo com a natureza dos Espíritos que podem atingi-los, e que neles gozam de maior ou menor bem-estar.
Os Espíritos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, para seguir o seu destino. Figurai-os como aves de arribação descendo numa ilha, para recuperarem suas forças e seguirem avante.
Os Espíritos progridem durante essas estações nos mundos transitórios.
Os que assim se reúnem têm o fito de se instruírem e poder mais facilmente obter a permissão de ir a lugares melhores até chegar à posição dos eleitos.
Os mundos transitórios não são por sua natureza especiais, perpetuamente destinados aos Espíritos errantes.
Sua posição é apenas temporária.
Não são eles ao mesmo tempo habitados por seres corpóreos porque sua superfície é estéril. Os que os habitam não precisam de nada.
Essa esterilidade não é permanente e não se liga à sua natureza especial.
São estéreis transitoriamente.
A Natureza desses mundos se traduz, pelas belezas da imensidade, que não são menos admiráveis do que as que chamamos belezas naturais.
Sendo transitório o estado desses mundos, a Terra já esteve entre eles na época durante a sua formação.
Comentário de Kardec: Nada existe de inútil na Natureza: cada coisa tem a sua finalidade, a sua destinação; nada é vazio, tudo é habitado, a vida se expande por toda parte. Assim, durante a longa série de séculos que se escoou antes da aparição do ser humano sobre a Terra, durante os lentos períodos de transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, sobre essa massa informe, nesse árido caos em que os elementos se confundiam, não havia ausência de vida. Seres que não tinham as nossas necessidades, nem as nossas sensações físicas, ali encontravam refúgio. Deus quis que, mesmo nesse estado imperfeito, ela servisse para alguma coisa. Quem, pois, ousaria dizer que, entre os bilhões de mundos que circulam na imensidade, apenas um, e um dos menores, perdido na multidão, teve o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria a utilidade dos outros? Deus só os teria feito para recrear os nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que brilha em todas as suas obras, inadmissíveis quando se pensa em todas as que não podemos perceber. Ninguém poderá negar que há nesta ideia dos mundos ainda impróprios para a vida material, e, entretanto, povoados de seres apropriados ao seu estado, alguma coisa de grande e sublime, onde talvez se encontre a solução de mais de um problema.

BIBLIOGRAFIA. O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

DESTINAÇÃO DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO IV. PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS. DESTINAÇÃO DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE.

O Espírito de uma criança que morre em tenra idade é tão adiantado como o de um adulto, e às vezes bem mais, porque pode ter vivido muito mais e possuir maiores experiências, sobretudo se progrediu.
O Espírito de uma criança pode então ser mais adiantado que o de seu pai. Isso é bastante frequente; não o vemos tantas vezes na Terra.
Se não praticou o bem e nem o mal, o Espírito da criança que morre em tenra idade, não tendo podido fazer o mal, pertence aos graus superiores, mas Deus não o afasta das provas que deve sofrer. Se for puro, não é pelo fato de ter sido criança, mas porque já se havia adiantado.
O porquê a vida se interrompe com frequência na infância, é porque a duração da vida da criança pode ser para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais.
O Espírito de uma criança morta em tenra idade, ela recomeça uma nova existência.
Comentário de Kardec: Se o ser humano só tivesse uma existência e se, após essa, a sua sorte fosse fixada para a eternidade, qual seria o merecimento da metade da espécie humana, que morre em tenra idade, para gozar sem esforço da felicidade eterna? E com que direito seria ela libertada das condições, quase sempre duras, impostas à outra metade? Tal ordem de coisas não poderia estar de acordo com a justiça de Deus. Pela reencarnação faz-se a igualdade para todos: o futuro pertence a todos, sem exceção e sem favoritismo, e os que chegarem por último só poderão queixar-se de si mesmos. O ser humano deve ter o mérito das suas ações, como tem a sua responsabilidade.
Não é, aliás, razoável considerar-se a infância como um estado de inocência. Não se veem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação ainda não pôde exercer a sua influência? Não se veem algumas que parecem trazer inatos à astúcia, a falsidade, a perfídia, o instinto mesmo do roubo e do assassínio, e isso não obstante os bons exemplos do meio? A lei civil absolve os seus erros, por considerar que elas agem mais instintivamente do que por deliberado propósito. Mas de onde podem provir esses instintos, tão diferentes entre as crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, a não ser da inferioridade do Espírito, pois que a educação nada tem com ela? Aqueles que são viciosos é que progridem menos e têm então de sofrer as consequências, não dos seus atos da infância, mas das suas existências anteriores. É assim que a lei se mostra a mesma para todos, e a justiça de Deus a todos abrange.
BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A REENCARNAÇÃO.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO IV. PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS. A REENCARNAÇLÃO.

A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea, ela acaba de depurar-se se submetendo à prova de uma nova existência.
Ela realiza essa nova existência, para se transformar como Espírito. Ao se depurar, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita da prova da vida corpórea.
A alma tem muitas existências corpóreas.
Todos nós temos muitas existências. Os que dizem o contrário querem manter-nos na ignorância em que eles mesmos se encontram; esse é o seu desejo.
Desse princípio, que após ter deixado o corpo a alma toma outro. Dito de outra maneira, que ela reencarna em novo corpo. É assim que se deve entender.
A finalidade da reencarnação é a expiação, melhoramento progressivo da Humanidade.
 O número das existências corpóreas não é limitado.
A cada nova existência o Espírito dá um passo na senda do progresso: mas quando se despojou de todas as impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea.
O número das encarnações não é a mesma para todos os Espíritos.
Aquele que avança rapidamente se poupa das provas. Não obstante, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito.
O Espírito depois de sua última encarnação se torna um
Espírito bem-aventurado; um Espírito puro.

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRTOS.

JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO.

0 LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA.MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO IV. PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO.

O dogma da reencarnação se funda sobre a justiça de Deus e a revelação, pois não nos cansamos de repetir: um bom pai deixa sempre aos filhos uma porta aberta ao arrependimento. A razão não diz que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna daqueles cujo melhoramento não dependeu deles mesmos. Todos os seres humanos são filhos de Deus. Somente entre os seres egoístas é que se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão.
Comentário de Kardec: Todos os Espíritos também tendem a perfeição, e Deus lhes proporciona os meios de consegui-la, com as provas da vida corpórea. Mas, na sua justiça, permite-lhes realizar, em novas existências, aquilo que não puderam fazer ou acabar numa primeira prova.
Não estaria de acordo com a equidade, nem segundo a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente de sua vontade, no próprio meio em que foram colocados. Se a sorte do ser humano fosse irrevogavelmente fixada após a sua morte, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade.
A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o ser humano muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia da justiça de Deus, com respeito aos seres de condição moral interior; a única que pode explicar o nosso futuro e fundamentar as nossas esperanças, pois oferece-nos o meio de resgatarmos os nossos erros através de novas provas. A razão assim nos diz, e é o que os Espíritos nos ensinam.
O ser humano que tem consciência da sua inferioridade encontra na doutrina da reencarnação uma consoladora esperança. Se crê na justiça de Deus, não pode esperar que, por toda a eternidade, haja de ser igual aos que agiram melhor do que ele. O pensamento de que essa inferioridade não o deserdará para sempre do bem supremo e que ele poderá conquistá-lo através de novos esforços o ampara e lhe reanima a coragem. Qual é aquele que, no fim da sua carreira, não lamenta ter adquirido demasiado tarde uma experiência que já não pode aproveitar? Pois esta experiência tardia não estará perdida: ele a aproveitará numa nova existência.

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

MATERIALISMO.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO II. ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS. MATERIALISMO.

O porquê os anatomistas, os fisiologistas e, em geral, os que se aprofundam nas Ciências Naturais são freqüentemente levados ao materialismo, é que
o fisiologista refere tudo ao que vê. Orgulho dos seres humanos, que tudo creem saber, não admitindo que alguma coisa possa ultrapassar o seu entendimento. Sua própria ciência os torna presunçosos. Pensam que a Natureza nada lhes pode ocultar.
Não é verdade que o materialismo seja uma consequência de estudos que deveriam, ao contrário, mostrar ao ser humano a superioridade da inteligência que governa o mundo. E o ser humano que deles tira uma falsa consequência, pois ele pode abusar de tudo, mesmo das melhores coisas. O nada, aliás, os apavora mais do que eles se permitem aparentar, e os espíritos fortes são quase sempre mais fanfarrões do que valentes. A maior parte deles são materialistas porque não dispõem de nada para preencher o vazio. Diante desse abismo que se abre ante eles, mostrai-lhes uma tábua de salvação, e a ela se agarrarão ansiosamente.
Comentário de Kardec: Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não veem nos seres orgânicos nada mais que a ação da matéria, e a esta atribuem todos os nossos atos. Não vêem no corpo humano senão a máquina elétrica; não estudaram o mecanismo da vida senão no funcionamento dos órgãos; viram-na extinguir-se muitas vezes pela ruptura de um fio, e nada mais perceberam além desse fio; procuraram descobrir o que restava, e como não encontraram mais do que a matéria inerte, não viram a alma escapar-se e nem puderam pegá-la, concluíram que tudo estava nas propriedades da matéria, e que. portanto, após a morte, o pensamento se reduz ao nada. Triste consequência, se assim fosse, porque então o bem e o mal não teriam sentido; o ser humano estaria certo ao não pensar senão em si mesmo e ao colocar acima de tudo a satisfação dos prazeres materiais; os laços sociais estariam rompidos e os mais santos afetos destruídos para sempre. Felizmente, essas ideias estão longe de ser generalizadas; pode-se mesmo dizer que estão muito circunscritas, não constituindo mais do que opiniões individuais, porque em parte algumas foram erigidas em doutrina. Uma sociedade fundada sobre essa base traria em si mesma os germes da dissolução, e os membros se despedaçariam entre si, como animais ferozes.
O ser humano tem instintivamente a convicção de que tudo não se acaba para ele com a vida; tem horror ao nada; é em vão que se obstina contra a ideia da vida futura, e quando chega o momento supremo, são poucos os que não perguntam o que deles vai ser, porque a ideia de deixar a vida para sempre tem qualquer coisa de pungente. Quem poderia, com efeito, encarar com indiferença uma separação absoluta e eterna de tudo o que ama? Quem poderia ver, sem terror, abrir-se à sua frente o imenso abismo do nada, pronto a tragar para sempre todas as nossas faculdades, todas as nossas esperanças, e ao mesmo tempo dizer: — Qual! Depois de mim, nada, nada, nada mais que o nada; tudo se apagará da memória dos que sobreviverem a mim; dentro em breve nenhum traço haverá de minha passagem pela terra; o bem mesmo que eu fiz será esquecido pelos ingratos a quem servi; e nada para compensar tudo isso, nenhuma perspectiva, a não ser a do meu corpo devorado pelos vermes!
Este quadro não tem qualquer coisa de horroroso e de glacial? A religião nos ensina que não pode ser assim, e a razão o confirma. Mas uma existência futura, vaga e indefinida, nada tem que satisfaça o nosso amor do positivo. E é isso que, para muitos, engendra a dúvida. Está certo que tenhamos uma alma; mas o que é a nossa alma? Tem ela uma forma, alguma aparência? É um ser limitado ou indefinido? Dizem alguns que é um sopro de Deus; outros, que é uma centelha; outros, uma  parte do Grande Todo, o princípio da vida e da inteligência. Mas o que é que tudo isso nos oferece? Que nos importa ter uma alma, se depois da morte ela se confunde com a imensidade, como as gotas d’água no oceano? A perda da nossa individualidade não é para nós o mesmo que o nada? Diz-se ainda que ela é imaterial. Mas uma coisa imaterial não pode ter proporções definidas, e para nós equivale ao nada. A religião nos ensina também que seremos felizes ou desgraçados, segundo o bem ou o mal que tenhamos feito. Mas qual é esse bem que nos espera no seio de Deus? E uma beatitude uma contemplação eterna, sem outra ocupação que a de cantar louvores ao Criador? As chamas do inferno são uma realidade ou apenas um símbolo? A própria Igreja as compreende nesse último sentido; mas. então, que sofrimentos são esses? Onde se encontra o lugar de suplício? Em uma palavra, o que se faz e o que se vê nesse mundo que nos espera a todos?
Ninguém costuma-se dizer, voltou de lá para nos dar conta do que existe. Isto, porém é um erro e a missão do Espiritismo é precisamente a de nos esclarecer sobre esse futuro a de nos fazer, até certo ponto, vê-lo e tocá-lo, não mais pelo raciocínio, mas através dos fatos. Graças às comunicações espíritas, isto não e mais uma presunção uma probabilidade sobre a qual cada um pinta à vontade, que os poetas embelezam com suas ficções ou enfeitam de imagens alegóricas que nos seduzem. E a realidade que nos mostra a sua face, porque são os próprios seres de além-túmulo que nos vêm contar a sua situação, dizer-nos o que fazem, permitir-nos assistir, por assim dizer a todas as peripécias da sua nova vida, e, por esse meio, nos mostram a sorte inevitável que nos está reservada, segundo os nossos méritos ou os nossos delitos Há nisso alguma coisa de anti-religioso? Bem pelo contrário, pois os incrédulos aí encontram a fé e os tíbios, uma renovação do fervor e da confiança. O Espiritismo é o mais poderoso auxiliar da religião. E se assim acontece é porque Deus o permite, e o permite para reanimar as nossas esperanças vacilantes e nos conduzir ao caminho do bem, pelas perspectivas do futuro.


BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

DEFICIENTES MENTAIS E A LOUCURA.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO VII. RETORNO A VIDA CORPORAL. OS DIFICIENTES MENTAIS E A LOUCURA.
A opinião de que os cretinos e os idiotas teriam uma alma de natureza inferior não tem fundamento.
Eles têm uma alma humana frequentemente mais inteligente do que pensamos, e que sofre com a insuficiência dos meios de que dispõe para se comunicar, como o mudo sofre por não poder falar.
O objetivo da Providência ao criar seres desgraçados como  os cretinos e os idiotas, é que são os Espíritos em punição que vivem em corpos de idiotas. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento a que estão sujeitos e pela  impossibilidade de manifestar-se através de órgãos não desenvolvidos ou defeituosos.
Não é exato dizer que os órgãos não exercem influência sobre as faculdades.
— Jamais foi dito que os órgãos não exercem influência. Eles a exercem e muito grande sobre a manifestação das faculdades, mas não produzem as faculdades. Esta a diferença. Um bom músico, com um mau instrumento, não fará boa música, o que não o impede de ser um bom músico.
Comentário de Kardec:  É necessário distinguir o estado normal do estado patológico. No estado normal, o moral supera o obstáculo material. Mas há casos em que a matéria oferece tal resistência que as manifestações são entravadas ou desnaturadas, como na idiotia e na loucura. Esses são casos patológicos, e em tal estado à alma não goza de toda a sua liberdade. A própria lei humana a isenta da responsabilidade dos seus atos.
O mérito da existência para seres que, como os idiotas e os cretinos não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir, trata-se de uma expiação imposta ao abuso que tenham feito de certas faculdades; é um tempo de suspensão.
Um corpo de idiota pode então encerrar um Espírito que tivesse um ser humano de gênio, numa existência precedente.
O gênio torna-se às vezes uma desgraça, quando dele se abusa.
Comentário de Kardec:  A superioridade moral não está sempre na razão da superioridade intelectual, e os maiores gênios podem ter muito a expiar; daí resulta frequentemente para eles uma existência inferior às que já tenham vivido, e uma causa de sofrimentos. Os entraves que o Espírito prova em suas manifestações são para ele como as cadeias que constrangem os movimentos de um ser vigoroso. Pode-se dizer que os cretinos e os idiotas são estropiados do cérebro, como o coxo o é das pernas e o cego dos olhos.
O idiota, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental, muito frequentemente. Compreende que as cadeias que entravam seu desenvolvimento são uma prova e uma expiação.
A situação do Espírito na loucura é quando o Espírito, quando em liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente a sua ação sobre a matéria; mas, encarnado, encontra-se em condições totalmente diferentes e na contingência de não a fazer senão com a ajuda de órgãos especiais. Que uma parte ou conjunto desses órgãos sejam alterados, e a sua ação ou suas impressões, no que respeita a esses órgãos, ficam interrompidos. Se ele perde os olhos, fica cego; sem os ouvidos, fica surdo etc. Imagina agora se o órgão que preside aos efeitos da inteligência e da vontade for parcial ou inteiramente atacado ou modificado, e fácil te será compreender que o Espírito, só tendo então a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, deve entrar numa perturbação de que, por si mesmo e no seu foro íntimo, tem perfeita consciência, mas cujo curso já não pode deter.
É então sempre o corpo e não o Espírito o desorganizado; mas é necessário não perder de vista que, da mesma maneira que o Espírito age sobre a matéria, esta reage sobre ele numa certa medida, e que o Espírito pode encontrar-se momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos através dos quais se manifesta e recebe as suas impressões. Pode acontecer que, com o tempo, quando a loucura durou bastante, a repetição dos mesmos atos acabe por exercer sobre o Espírito uma influencia da qual ele não se livrará senão depois da sua completa separação de toda impressão material.
A razão por que a loucura leva algumas vezes ao suicídio, é que o Espírito sofre pelo constrangimento a que está submetido e pela impotência para manifestar-se livremente. Por isso busca libertar-se por  intermédio da morte.
Após a morte, o Espírito se ressente da perturbação de suas Faculdades durante algum tempo, até que esteja  completamente desligado da matéria, como o ser humano que, ao acordar, sente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulhara.
A alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito após a morte pela lembrança. Um peso oprime o Espírito, e como ele não teve consciência de tudo o que se passou durante a sua loucura, é necessário um  certo tempo para que se ponha ao corrente. É por isso que quanto mais tenha durado a loucura durante a vida, mais longamente durará a tortura, o constrangimento após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente por algum tempo da impressão dos seus ligamentos.


BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.