quinta-feira, 26 de outubro de 2017

OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA.  MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO X.
OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS.

Os Espíritos cuidam de outra coisa, além do seu melhoramento pessoal, pois concorrem para a harmonia do Universo, executando a vontade de Deus, do qual são os ministros. A vida espírita é uma ocupação contínua, mas nada tem de penosa como a da Terra, pois não está sujeita à fadiga corpórea nem às angústias da necessidade.
Os Espíritos inferiores e imperfeitos desempenham também um papel útil no Universo, onde todos têm deveres a cumprir. O último dos pedreiros não concorre também para a construção do edifício como o arquiteto?
Os Espíritos todos têm de habitar em toda parte e adquirir o conhecimento de todas as coisas, presidindo sucessivamente às funções concernentes a todos os planos do Universo. Mas, como se diz no Eclesiastes, há um tempo para cada coisa. Assim, este cumpre hoje o seu destino neste mundo, aquele o cumprirá ou já cumpriu em outro tempo, sobre a Terra, na água, no ar etc.
Todos devem percorrer os diferentes graus da escala, para se aperfeiçoarem. Deus, que é justo, não poderia ter dado a uns a ciência sem trabalho, enquanto outros só a adquirem de maneira penosa.
Comentário de Kardec: Da mesma maneira, entre os seres humanos, ninguém chega ao supremo grau de habilidade numa arte qualquer sem ter adquirido os conhecimentos necessários na prática das funções mais ínfimas dessa arte.
Os Espíritos da ordem mais elevada, nada mais tendo a adquirir, entregam-se ainda a ocupações.
A eterna ociosidade seria um suplício eterno.
A natureza de suas ocupações eles recebem diretamente as ordens de Deus, e transmitem por todo o Universo e velam pela sua execução.
As ocupações dos Espíritos são incessantes sim, se entendermos que o seu pensamento está sempre em atividade, pois eles vivem pelo pensamento. Mas é necessário não equiparar as ocupações dos Espíritos com as ocupações materiais dos seres humanos. Sua própria atividade é um gozo, pela consciência que eles têm de ser úteis.
Concebe-se isso para os bons Espíritos; mas para os inferiores eles têm ocupações apropriadas à sua natureza.
Entre os Espíritos há os que são ociosos ou que não se ocupam de alguma coisa útil, mas esse estado é temporário e subordinado ao desenvolvimento de sua inteligência. Certamente que os há, como entre os seres humanos, vivendo apenas para si mesmos; mas essa ociosidade lhes pesa e, cedo ou tarde, o desejo de progredir lhes faz sentir a necessidade de atividade, e são então felizes de poderem tornar-se úteis. Falamos de Espíritos que atingiram o ponto necessário para terem consciência de si mesmos e de seu livre-arbítrio. Porque, em sua origem, eles são como crianças recém-nascidas que agem mais por instinto do que por uma vontade determinada.
Os Espíritos examinam os nossos trabalhos de arte e se interessam por eles, ou seja, examinam o que pode provocar elevação dos Espíritos e seu progresso.
Um Espírito que teve uma especialidade na Terra, um pintor, um arquiteto, por exemplo, se interessa de preferência pelos trabalhos que constituíram o objeto de sua predileção durante a vida, isto é, se for bom, se interessará por eles na proporção que lhe permitam ajudar a elevação das almas a Deus. Esqueceis, aliás, que um Espírito que praticou uma arte na existência em que o conhecestes, pode ter praticado outra em outra existência, porque é necessário que tudo saiba para tornar-se perfeito. Assim, segundo o seu grau de adiantamento, pode ser que nenhuma delas constitua uma especialidade para ele. E isso o que eu entendo quando digo que tudo se confunde num objetivo geral. Notai ainda isto: o que é sublime para nós, no nosso mundo atrasado, não passa de infantilidade, comparado com o que há nos mundos mais avançados. Como queremos que os Espíritos que habitam esses mundos, onde existem artes desconhecidas para nós, admirem o que, para eles, não é mais que um trabalho escolar? Já o disse: eles examinam aquilo que pode provar o progresso.
Concebemos que assim deve ser para os Espíritos bastante adiantados. Mas falamos dos Espíritos mais vulgares, que não se elevaram  ainda acima das ideias terrenas. Para esses é diferente. Seu ponto de vista é mais limitado e podem admirar aquilo mesmo que admirais.
Os Espíritos vulgares se imiscuem algumas vezes em nossas ocupações e em nossos prazeres e estão incessantemente ao nosso redor e tomam parte, às vezes bastante ativa naquilo que fazemos, segundo a sua natureza. E é bom que o façam, para impulsionar os seres humanos nos diferentes caminhos da vida, excitar ou moderar as suas paixões.
Comentário de Kardec: Os Espíritos se ocupam das coisas deste mundo na razão da sua elevação ou da sua inferioridade. Os Espíritos superiores têm, sem dúvida, a faculdade de as considerar nos seus mínimos aspectos, mas não o fazem senão na medida em que isso seja útil ao progresso. Os Espíritos inferiores somente ligam a essas coisas uma importância relativa ás lembranças que ainda estão presentes em sua memória, e às ideias materiais que ainda não foram extintas.
Os Espíritos que têm missões a cumprir cumprem-nas em estado errante e encarnado. Podendo fazê-lo num e noutro estado. Para certos Espíritos errantes essa é uma grande ocupação.
As missões de que podem ser encarregados os Espíritos errantes, são tão variadas que seria impossível descrevê-las; existem aliás  as que não poderemos compreender.
Comentário de Kardec:  As missões dos Espíritos têm sempre o bem por objeto. Seja como Espírito, seja como seres, são encarregados de ajudar o progresso da humanidade, dos povos, ou dos indivíduos num circulo de ideias mais ou menos largo, mais ou menos especial, de preparar as vias para certos acontecimentos, de velar pela realização de certas coisas. Alguns têm missões mais restritas e de certa maneira pessoais ou inteiramente locais, como de assistir aos doentes, os agonizantes, os aflitos, de velar pelos que estão sob a sua proteção de guias,  de dirigi-los pelos seus conselhos ou pelos bons pensamentos que lhes surgem. Pode se dizer que há tantos gêneros de missões quantas as espécies de interesses a resguardar, seja no mundo físico ou no mundo moral. O Espírito se adianta segundo a maneira por que desempenha a sua tarefa.
0s Espíritos não compreendem sempre os desígnios que estão encarregados de executar.
Há os que são instrumentos cegos, mas outros sabem muito bem com que objetivo agem.
Quanto se há somente Espíritos elevados no cumprimento de missões, podemos dizer que a importância das missões está em relação com a capacidade e a oração do Espírito. O estafeta que leva um despacho cumpre também uma missão, que não é a do general.
A missão de um Espírito ele a pede e alegra-se de obtê-la.
A mesma missão pode ser pedida por muitos Espíritos, onde há sempre muitos candidatos, mas nem todos são aceitos.
A missão dos Espíritos encarnados consiste em instruir os seres humanos, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições por meios diretos e materiais. Mas as missões são mais ou menos gerais importantes. Aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. Tudo se encadeia na Natureza;  ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, também concorre por essa forma para o cumprimento dos desígnios da Providencia. Cada um tem a sua missão neste mundo, porque cada um pode ser útil em algum sentido.
A missão de pessoas voluntariamente inúteis na Terra, é que existe efetivamente pessoas que só vivem para si mesmas e não sabem tornar-se úteis para nada. São pobres seres que devemos lamentar, porque expiarão cruelmente sua inutilidade voluntária. Seu castigo começa frequentemente desde este mundo, pelo tédio e o desgosto da vida.
Se poderiam escolher suas provas, por que preferiram uma vida vazia, é porque entre os Espíritos há também os preguiçosos que recuam diante de má vida de trabalho. Deus os deixa fazer; compreenderão mais tarde e à sua própria custa os inconvenientes de sua inutilidade e serão os primeiros a pedir para reparar o tempo perdido. Talvez, também, tenham escolhido uma vida mais útil, mas uma vez em ação a recusaram, deixando-se arrastar pelas sugestões dos Espíritos que os incitavam à ociosidade.
Podemos reconhecer que um ser humano tem uma missão real na Terra pelas grandes coisas que ele realiza, pelo progresso que faz os seus semelhantes realizarem.
Os seres que têm uma missão importante são predestinados a ela às vezes  antes do nascimento e têm conhecimento; mas, na maioria das vezes, o ignoram. Só têm um vago objetivo ao virem para a Terra; sua missão se desenha após o nascimento e segundo as circunstâncias. Deus os impulsiona pela via em que devem cumprir os seus desígnios.
Tudo o que um ser humano faz não é consequência de uma missão predestinada; ele é frequentemente o instrumento de que um Espírito se serve para fazer executar alguma coisa que considera útil. Por exemplo, um Espírito julga que seria bom escrever um livro que ele escreveria se estivesse  encarnado; procura o escritor mais apto a compreender o seu pensamento e a executá-lo; dá-lhe então a ideia e o dirige na execução. Assim, este ser não veio à Terra com a missão de fazer a obra. Acontece o mesmo com alguns trabalhos de arte e com as descobertas. Deve-se dizer ainda que durante o sono do corpo o Espírito encarnado se comunica diretamente com o Espírito errante, e que se entendem sobre a execução.
O Espírito pode falir na sua missão por sua culpa, se não for um Espírito superior.
As consequências para ele, é que terá de reiniciar a tarefa; está nisso a punição. Depois sofrerá as consequências do mal que tenha causado.
Quando Deus da uma missão a um certo Espírito, Ele não sabe se este será vitorioso ou não.
O Espírito que encarna para cumprir uma missão, ele não tem as mesmas apreensões daquele que o faz como prova, e sim tem experiência adquirida.
Existem seres humanos que são os faróis do gênero humano, que o iluminam com luz do gênio. Mas no seu número há os que se enganaram, e que ao par de grandes verdades, propagaram grandes erros, e que podemos considerar sua tarefa como falseada por eles próprios.
É que também estão abaixo da tarefa que empreenderam. É necessário, entretanto, tomar em conta as circunstâncias; os seres de gênio devem falar segundo o tempo, e um ensino que parece errôneo ou pueril para uma época avançada poderia ser suficiente para o seu século.
Podemos considerar a paternidade como uma missão e sem contradita, e ao mesmo tempo um dever muito grande, que implica mais do que o ser humano pensa na sua responsabilidade para o futuro. Deus põe a criança sob a tutela dos pais para que estes a dirijam no caminho do bem. E lhes facilitou a tarefa dando à criança uma organização débil e delicada, que a torna acessível a todas as impressões.  Mas há os que mais se ocupam de endireitar as árvores do pomar e de fazê-las carregar de bons frutos do que endireitar o caráter do filho. Se este sucumbir por sua culpa, terão de sofrer a pena, e os sofrimentos da criança na vida futura recairão sobre eles, porque não fizeram o que lhes competia para o seu adiantamento nas vias do bem.
Se uma criança se transviar, apesar dos cuidados dos pais, estes não são responsáveis; mas quanto mais as disposições da criança são más, mais  a tarefa é pesada e maior será o mérito se conseguirem desviá-la do mau caminho.
Se uma criança se torna um bom adulto, apesar da negligência ou dos maus exemplos dos pais, estes se beneficiam com isso, porque Deus é justo.
A natureza da missão do conquistador que só tem em vista satisfazer a sua ambição e que, para atingir o objetivo, não vacila diante de nenhuma das  calamidades que vai espalhando, é porque, na maioria das vezes, não é  mais do que um instrumento de que Deus se serve para o cumprimento de seus desígnios. Essas calamidades são, muitas vezes, o meio de fazer avançar mais rapidamente um povo.
Comentário de Kardec: Os Espíritos encarnados têm ocupações inerentes à sua existência corporal. No estado errante ou de desmaterialização suas ocupações são proporcionais ao seu grau de adiantamento.
Uns percorrem os mundos, instruindo-se e preparando-se para uma nova encarnação.
Outros, mais avançados, ocupam-se do progresso dirigindo os acontecimentos e sugerindo pensamentos favoráveis; assistem aos seres humanos de gênio que concorrem para o adiantamento da Humanidade.
Outros se encarnam com uma missão de progresso.
Outros tomam à sua tutela indivíduos, famílias, aglomerações humanas, cidades e povos dos quais se tornam anjos da guarda, gênios protetores e Espíritos familiares.
Outros, enfim, presidem aos fenômenos da Natureza, dos quais são os agentes diretos.
Os Espíritos comuns se imiscuem nas ocupações e divertimentos dos seres humanos.
Os Espíritos impuros ou imperfeitos esperam, em sofrimentos e angústias, o momento em que praza a Deus conceder-lhes os meios de se adiantarem. Se fazem o mal é pelo despeito de ainda não poderem gozar do bem(1)


(1)  Estas anotações de Kardec dão-nos a visão de conjunto das funções dos Espíritos na Natureza e justificam a sua afirmação de que os Espíritos são uma das forças naturais do Universo. As doutrinas espiritualistas que acusam o Espiritismo de não reconhecer a existência de classes de espíritos não humanos desconhecem este quadro. O Espiritismo é monista e considera toda a evolução espiritual como um processo único que se define na Humanidade, mas reconhece as fases pré-humanas dessa evolução. Como vemos acima, os Espíritos estão em toda parte e exercem universalmente a sua ação inteligente.
BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DURAÇÃO DAS PENALIDADES FUTURAS.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE QUARTA ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES. CAPÍTULO II. PENALIDADES E PRAZERES FUTUROS. DURAÇÃO DAS PENALIDADES FUTURAS.

A duração do sofrimento do culpado na vida futura é subordinada lei que revela a sabedoria de Deus e sua bondade.
Deus nunca age de maneira caprichosa e tudo no Universo é regido pela lei Dele.
O que determina a duração dos sofrimentos do culpado é o tempo necessário ao seu melhoramento. O estado de sofrimento e de felicidade sendo proporcional ao grau de pureza de Espírito, a duração e a natureza dos seus sofrimentos dependem do tempo que ele precisa para se melhorar. Á medida que ele progride e que os seus sentimentos se depuram, seus sofrimentos diminuem e se modificam. (São Luís.)
 Para o Espírito sofredor o tempo parece mais longo do que estava encarnado: o sono não existe para ele. Só para os Espíritos que atingiram certo grau de purificação o tempo se apaga, por assim dizer, em face do infinito.
A duração dos sofrimentos do Espírito pode ser eterna, se ele fosse eternamente mau, ou seja, se jamais tivesse de se arrepender nem de se melhorar. Então, sofreria eternamente. Mas Deus não criou seres eternamente votados ao mal. Criou-os apenas simples e ignorantes, e todos devem progredir num tempo mais ou menos longo, de acordo com a própria vontade. Esta pode ser mais ou menos retardada, assim como há crianças mais ou menos precoces, mas, cedo ou tarde, ela se manifesta por uma irresistível necessidade que o Espírito sente em sair da sua inferioridade e ser feliz. A lei que rege a duração das penas é, portanto, eminentemente sábia e benevolente, pois subordina essa duração aos esforços do Espírito, jamais lhe tirando o livre-arbítrio; se dele fez mal uso, sofrerá as consequências disso. (São Luís.)
 Há Espíritos cujo arrependimento é tardio, mas pretender que jamais se melhorem seria negar a lei do progresso e dizer que a criança não pode tornar-se adulta. (São Luís.)
A duração das penas depende sempre da vontade do Espírito, mas as penas que lhe podem ser impostas por determinado tempo, Deus, que não deseja senão o bem de suas criaturas, aceita sempre o arrependimento, e o desejo de se melhorar nunca é estéril. (São Luís)
 Segundo isso, as penas impostas jamais seriam eternas.
Compreendamos bem essa palavra? Sofrimento, tortura sem fim e sem esperança, apenas por algumas faltas! Não repugna ao nosso próprio critério semelhante pensamento? Que os antigos tivessem visto no Senhor do Universo um Deus terrível, invejoso e vingativo, compreende-se; na sua ignorância emprestaram à divindade as paixões dos seres humanos. Mas não é esse o Deus dos cristãos, que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no plano das primeiras virtudes: poderia Ele mesmo não ter as qualidades que exige como um dever? Não há contradição em se lhe atribuir à bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo Ele é justo e que o ser humano não compreende a sua justiça. Mas a justiça não exclui a bondade, e Deus não seria bom se destinasse às penas horríveis e perpétuas a maioria de suas criaturas. Poderia fazer da justiça uma obrigação para seus filhos, se não lhes desse os meios de compreendê-la? Aliás, não é sublime a justiça unida à bondade, que faz. A duração das penas depende dos esforços do culpado para se melhorar? Nisto se encontra a verdade do preceito: “A cada um segundo as suas obras”. (Santo Agostinho)
Empenhai-vos por todos os meios ao nosso alcance no combate, no aniquilamento da ideia da eternidade das penas, pensamento blasfemo da  justiça e da bondade de Deus, a mais fecunda fonte da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas, desde que a sua inteligência começou a se desenvolver. O Espírito prestes a se esclarecer, ou ainda em vias de fazê-lo, bem logo compreendeu a monstruosa injustiça. Sua razão a repele e então raramente deixa de confundir numa mesma condenação a pena que o revolta e o Deus a que é atribuída. Disso decorrem os males sem conta que recaíram sobre nós e para os quais viemos trazer o remédio. A tarefa que nos assinalamos será tanto mais fácil quanto as autoridades em que se apoiam os defensores dessa crença, evitaram se pronunciar de modo formal. Nem os concílios, nem os Pais da Igreja decidiram de maneira absoluta essa grave questão. Se de acordo com os próprios evangelistas, tornando-se ao pé da letra as suas palavras alegóricas, o Cristo ameaçou os culpados com o fogo que não se extingue, com afogo eterno, entretanto, nada existe nessas palavras que provem tê-los condenado eternamente. Pobres ovelhas desgarradas saibam ver que o Bom Pastor se aproxima de vós e que, longe de querer banir-vos para sempre da sua presença, vem ao vosso encontro, para vos reconduzir ao redil. Filhos pródigos deixem o vosso exílio voluntário. Voltai para a morada paterna: o Pai vos abre os braços e está sempre pronto para festejar o vosso retorno à família. (Lamennais)
Guerras de palavras! Guerras de palavras! Não tendes feito verter bastante sangue? Será ainda necessário reacender as fogueiras? Discutem-se as expressões: eternidade das penas, eternidade dos castigos. Não sabeis então que aquilo que hoje entendeis por eternidade os antigos não o entendiam da mesma maneira? Que o teólogo consulte as fontes e como todos vós  descobrirá que o texto hebraico não dava à palavra o mesmo sentido que os gregos, os latinos e os modernos traduziram por penas sem fim, irremissíveis). A eternidade dos castigos corresponde à eternidade do mal. Sim, enquanto existir o mal entre os seres subsistirão os castigos; são em sentido relativo que se devem interpretar os textos sagrados. A eternidade das penas é, portanto, relativa e não absoluta. Dia virá em que todos os seres se revestirão pelo arrependimento da roupagem da inocência, e nesse dia não haverá mais gemidos ou ranger de dentes. Vossa razão é limitada, isso é verdade, mas, tal qual é, representa um presente de Deus e com a ajuda da razão não haverá um só ser de boa-fé que compreenda de outra maneira a eternidade dos castigos. A eternidade dos castigos! Como! Teríamos então de admitir que o mal fosse eterno. Mas só Deus é eterno e não poderia ter criado o mal eterno, pois, se assim não fosse, teríamos de destituí-lo do mais belo dos seus atributos: o soberano poder, porque deixa de ser soberanamente poderoso o que pode criar um demento destruidor de suas próprias obras. Humanidade, Humanidade! Não mergulhes mais o teu sombrio olhar nas profundezas da Terra, buscando os castigos. Chora, espera, expia e refugia-te no pensamento de um Deus infinitamente bom, absolutamente poderoso e essencialmente justo. (Platão)
Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas lhe são necessárias: a justiça, o amor e a ciência; três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça). Pois bem, em verdade vos digo que mentis a esses princípios fundamentais ao comprometer a ideia de Deus com o exagero de sua severidade, e duplamente a comprometeis, deixando penetrar no Espírito da criatura o pensamento de que ela possui mais clemência, mansuetude, amor e verdadeira justiça do que costumais atribuir ao Ser Infinito. Destruís mesmo a ideia de inferno, tornando-a ridícula e inacessível às vossas crenças, como o é para os vossos corações o horrendo espetáculo das execuções, das fogueiras e das torturas da Idade Média. Mas como? É quando a era das represálias cegas já foi superada pelas legislações humanas que esperais mantê-la numa forma ideal? Oh!, Crede-me, irmãos em Deus e em Jesus Cristo, crede-me ou resignai-vos a deixar perecer nas vossas mãos todos os vossos dogmas, para permitir a sua alteração, ou, então, vivificai-os, abrindo-os aos benéficos eflúvios que os bons Espíritos derramam neste momento sobre eles. A ideia do inferno com suas fornalhas ardentes, com suas caldeiras ferventes, pôde ser tolerada ou admissível num século mitológico; mas no século dezenove não passa de vão fantasma que só serve para amedrontar as criancinhas, e no qual essas mesmas já não acreditam quando se tornam um pouco maiores. Persistindo nessa mitologia apavorante, engendrais a incredulidade, origem de toda a desorganização social; eis porque tremo ao ver toda uma ordem social abalada e a ruir sobre as próprias bases por falta de sanção penal. Seres de fé ardente e viva, vanguardeiros do dia da luz, ao trabalho, pois! Não para manter velhas fábulas atualmente desacreditadas, mas para reavivar e revitalizar a verdadeira sanção penal sob formas que correspondam aos vossos costumes, aos vossos sentimentos e às luzes da vossa época.
Quem é, com efeito, o culpado? Aquele que por um extravio, por um falso impulso da alma se distancia do objetivo da Criação, que consiste no culto harmonioso do belo e do bem idealizado pelo arquétipo humano, pelo seres-deus, por Jesus Cristo.
Qual é o castigo? A consequência natural decorrente desse falso impulso; uma quantidade de dores necessárias para fazê-lo aborrecer-se da sua deformação, pela prova do sofrimento. O castigo é o aguilhão que excita a alma pela amargura a voltar-se sobre si mesma, a retornar ao caminho da salvação. O objetivo do castigo não é outro senão a reabilitação, a redenção. Querer que o castigo fosse eterno, por uma falta que não é eterna, é negar-lhe toda a razão de ser.
Oh!, Em verdade vos digo, cessai, cessai de pôr em paralelo, na eternidade, o Bem, a essência do Criador, com a Mal, essência da criatura: isso seria criar uma penalidade injustificável. Afirmai, ao contrário, o abrandamento gradual dos castigos e das penas pelas transmigrações e consagrareis pela razão ligada ao sentimento, a unidade divina. (Paulo, o apóstolo)
Comentário de Kardec: Deseja-se incitar o ser ao bem e desviá-lo do mal pelo engodo das recompensas e o temor dos castigos, mas se esses castigos são apresentados de maneira que a razão repele, não terão sobre ele nenhuma influência. Longe disso, ele rejeitará tudo: a forma e o fundo. Que se lhe apresente, pelo contrário, o futuro de uma forma lógica e ele não o recusará. O Espiritismo lhe dá essa explicação.
A doutrina da eternidade das penas, no seu sentido absoluto, faz do ser supremo um Deus implacável. Seria lógico dizer-se que um soberano é muito bom muito benevolente, muito indulgente, que não deseja senão a felicidade dos que o rodeiam, mas que ao mesmo tempo é invejoso, vingativo, de um rigor inflexível e que pune com o suplicio máximo três quartas partes de seus súditos por uma ofensa ou uma infração às suas leis, ainda mesmo aqueles que faliram por não as conhecer? Não seria isso uma contradição? Pois bem. Deus pode ser menos do que o seria um ser humano?
Outra contradição se apresenta neste caso. Desde que Deus tudo sabe, sabia então, ao criar uma alma, que ela teria de falir; ela estava desde a formação destinada à infelicidade eterna: isto é possível, é racional? Com a doutrina das penas relativas, tudo se justifica. Deus sabia, sem dúvida, que ela teria de falir, mas lhe dá os meios de se esclarecer por sua própria experiência e pelas suas próprias faltas. É necessário que ela expie os seus erros para melhor se firmar no bem, mas a porta da esperança jamais lhe será fechada e Deus faz depender o momento da sua libertação dos esforços que ela fizer para atingi-lo. Eis o que todos podem compreender, o que a lógica mais meticulosa pode admitir. Se as penas futuras tivessem sido apresentadas dessa maneira, haveria muito menos céticos.
A palavra eterna é quase sempre empregada na linguagem comum em sentido figurado, para designar uma coisa de longa duração e da qual não se prevê o termo, embora se saiba muito bem que esse termo existe. Dizemos, por exemplo, os gelos eternos das altas montanhas, dos polos, embora saibamos, de um lado, que o mundo físico pode ter um fim, e de outra parte, que o estado dessas regiões pode modificar-se pelo deslocamento normal do eixo da Terra ou por um cataclismo. A palavra eterno, neste caso, não quer dizer duração infinita. Quando sofremos uma longa doença, dizemos que o nosso mal é eterno. Que há, pois, para admirar, se os Espíritos que sofrem desde muitos anos, desde séculos, e até mesmo de milhares de anos, também digam assim? Não nos esqueçamos, sobretudo, de que a sua inferioridade não lhes permitindo ver o termo da rota, eles creem sofrer para sempre, o que é para eles uma punição.
De resto, a doutrina do fogo material, das fornalhas e das torturas emprestadas ao Tártaro do paganismo, está hoje completamente abandonada pela alta Teologia. Apenas nas escolas esses apavorantes quadros alegóricos são ainda apresentados como verdades positivas por alguns seres humanos mais zelosos do que esclarecidos. E isso muito erroneamente, pois as imaginações jovens, uma vez passado o terror, poderão aumentar o número dos incrédulos. A Teologia reconhece hoje que a palavra fogo é empregada em sentido figurado, devendo ser entendida como fogo moral.) Os que, como nós, acompanharam as peripécias da vida e dos sofrimentos do além-túmulo através das comunicações espíritas puderam convencer-se de que, por não terem nada de material, elas não são menos pungentes). A respeito mesmo da sua duração, alguns teólogos começam a admiti-las no sentido restritivo que indicamos acima e pensam que, de fato, a palavra eterno pode referir-se às penas em si mesmas, como consequência de uma lei imutável e não na sua aplicação a cada indivíduo. No dia em que a religião admitir essa interpretação, bem como outras que são igualmente a consequência do progresso das luzes, reconduzirá ao seu seio muitas ovelhas desgarradas).



BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

ENCARNAÇÃO EM DIFERENTES MUNDOS.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS. PARTE SEGUNDA. MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS. CAPÍTULO IV. PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS. ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS.

Nossas diferentes existências corpóreas não passamos todas na Terra, mas nos diferentes mundos. As deste globo não são as primeiras nem as últimas, mas as mais materiais e distanciadas da perfeição.
 A cada nova existência corpórea a alma pode reviver muitas vezes num mesmo globo, isto se não estiver bastante adiantada para passar a um mundo superior.
 Podemos então reaparecer muitas vezes na Terra.
Podemos também voltar a ela depois de ter vivido em outros mundos; podemos ter já vivido noutros mundos bem como na Terra.
Não é uma necessidade reviver na Terra. Mas, se não progredirmos, podemos ir para outro mundo que não seja melhor, e que pode mesmo ser pior.
Nenhuma vantagem particular em voltar na Terra, a não ser que se venha em missão, pois então se progride como em qualquer outro mundo.
Não seria melhor continuar como Espírito, pois ficaríamos
estacionado, e o que se quer é avançar para Deus.
 Os Espíritos, depois de se haverem encarnado em outros mundos podem encarnar-se neste, sem jamais terem passado por aqui, como nós em outros globos. Todos os mundos são solidários; o que não se faz num, pode-se fazer noutro.
Assim, existem seres humanos que estão na Terra pela primeira vez, e em diversos graus.
Não teria nenhuma utilidade poder se reconhecer por um sinal qualquer, quando um Espírito se encontra pela primeira vez na Terra.
Para chegar à perfeição e à felicidade suprema, que é o objetivo final de todos os seres, o Espírito não deve passar pela série de todos os mundos que existem no Universo. Porque há muitos mundos que se encontram no mesmo grau e onde os Espíritos nada aprenderiam de novo.
A explicação dentro da pluralidade de sua existência num mesmo globo, é que eles podem ali se encontrar de cada vez, em posições bastante diferentes, e que serão outras tantas ocasiões de adquirir experiência.
 Os Espíritos podem renascer corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram, quando têm uma missão a cumprir, para ajudar o progresso; e então aceitam com alegria as tribulações dessa existência porque lhes fornecem um meio de se adiantarem.
Isso não pode também acontecer como expiação aos Espíritos rebeldes a mundo inferiores, onde eles podem permanecerem
estacionários, mas nunca retrogradar; sua punição, pois, é a de não avançar e ter recomeçar as existências mal empregadas, no meio que convém à sua natureza.
Os que devem recomeçar a mesma existência são os que faliram em sua missão ou em suas provas.
 Os seres que habitam cada mundo não estão todos no mesmo grau de perfeição.
É como na Terra: há os que estão mais ou menos adiantados.
 Ao passar deste mundo para outro, o Espírito conserva a inteligência que tinha aqui, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e do estado do corpo que adquirir.
Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos, porque é necessário que o Espírito se revista de matéria para agir sobre ela; mas esse envoltório é mais ou menos material, segundo o grau de pureza a que chegaram os Espíritos, e é isso que determina as diferenças entre os mundos que temos de percorrer. Porque há muitas moradas na casa de nosso Pai, e muitos graus. Tem alguns que o sabem e têm consciência disso aqui na Terra, mas outros nada sabem.
Quanto se podemos conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos, os Espíritos, não podem responder senão na medida do nosso grau de evolução. Quer dizer que não devem revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em condições de compreendê-las, e elas os perturbariam.
Comentário de Kardec: À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste, aproxima-se igualmente da natureza espírita. A matéria se torna menos densa, ele já não se arrasta penosamente pelo solo, suas necessidades físicas são menos grosseiras, os seres vivos não têm mais necessidade de se destruírem para se alimentar. O Espírito é mais livre e tem, para as coisas distanciadas, percepções que desconhecemos: vê pelos olhos do corpo aquilo que só vemos pelo pensamento.
A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. As paixões animais se enfraquecem, o egoísmo dá lugar ao sentimento fraternal. É assim que, nos mundos superiores ao nosso, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, porque ninguém pensa em prejudicar o seu semelhante. A intuição do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos fazem que a morte não lhes cause nenhuma apreensão: eles a recebem sem medo e como uma simples transformação.
A duração da vida, nos diferentes mundos, parece proporcional ao seu grau de superioridade física e moral, e isso é perfeitamente racional. Quanto menos material é o corpo, está menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam, quanto mais puro é o Espírito, menos sujeito às paixões que o enfraquecem. Este é ainda um auxílio da providência, que deseja, assim, abreviar os sofrimentos.
 Passando de um mundo para outro, o Espírito passa por nova infância, onde a infância é por toda parte uma transição necessária, mas não é sempre tão ingênua como entre nós.
O Espírito nem sempre pode escolher o novo mundo em que vai habitar; mas pode pedir e obter o que deseja, se o merecer. Porque os mundos só são acessíveis aos Espíritos de acordo com o grau de sua elevação.
Se o Espírito nada pedir, o que determina o mundo onde irá reencarnar é o seu grau de elevação.
 O estado físico e moral dos seres vivos não é perpetuamente o mesmo em cada globo; os mundos também estão submetidos à lei do progresso. Todos começaram como o nosso, por um estado inferior, e a Terra mesma sofrerá uma transformação semelhante, tornando-se um paraíso terrestre, quando os seres humanos se fizerem bons.
Comentário de Kardec: É assim que as raças que hoje povoam a Terra desaparecerão um dia e serão substituídas por seres mais e mais perfeitos. Essas raças transformadas sucederão à atual, como esta sucedeu a outras que eram mais grosseiras.
Há mundos em que o Espírito deixando de viver num corpo material, só tem por envoltório o períspirito, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que para nós é como se não existisse; eis então o estado dos Espíritos puros.
Não existe uma demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e o do Espírito puro.
 A diferença se dilui pouco a pouco e se torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades do dia.
A substância do períspirito não é a mesma em todos os globos.
É mais eternizada em uns do que em outros. Ao passar de um para outro mundo, o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez, que o relâmpago.
Os Espíritos puros habitam determinados mundos, mas não estão confinados a eles como os seres a Terra; eles podem, melhor que os outros, estar em toda parte(1).

(1) De todos os globos que constituem o nosso sistema planetário, segundo os Espíritos, a Terra é daqueles cujos habitantes são menos adiantados, física e moralmente: Marte lhe seria ainda inferior e Júpiter muito superior em todos os sentidos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas um lugar de encontro de Espíritos superiores, que de lá irradiam seu pensamento para outros mundos, que dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, com os quais se comunicam por meio do fluido universal. Como constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis, ao que parece, estariam nas mesmas condições.
O volume e o afastamento do Sol não tem nenhuma relação necessária com o grau de desenvolvimento dos mundos, pois parece que Vênus está mais adiantada que a Terra e Saturno menos que Júpiter Muitos Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e é de admirar que num globo tão adiantado se encontrem seres que a opinião terrena não considerava tão elevados. Isto, porém, nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos Espíritos que habitam aquele planeta podiam ter sido enviados a Terra, em cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não os colocaria no primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência terrena e a de Júpiter, podiam ter tido outras, intermediárias, nas quais se tivessem melhorado; em terceiro lugar, naquele mundo, como no nosso, há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses graus pode haver a distância que separa entre nós o selvagem do ser civilizado. Assim, o fato de habitarem Júpiter, não se segue que estejam no nível dos seres mais evoluídos, da mesma maneira que uma pessoa não está no nível de um sábio do Instituto, pela simples razão de morar em Paris.
As condições de longevidade não são, por toda parte, as mesmas da Terra, não sendo possível a comparação de idades. Uma pessoa, falecida há alguns anos, quando evocada, disse haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome é desconhecido. Interpelada sobre a idade que tinha nesse mundo, respondeu: “Não posso calcular, porque não contamos o tempo como vós; além disso, o nosso meio de vida não é o mesmo; desenvolvemo-nos muito mais rapidamente; tanto assim que há apenas seis dos vossos meses nele me encontro, e posso dizer que, quando à inteligência, tenho trinta anos de idade terrena”.
Muitas respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há nisso de inverossímil. Não vemos na Terra tantos animais adquirirem em poucos meses um desenvolvimento normal? Porque não poderia dar-se o mesmo com o ser, em outras esferas? Notemos, por outro lado, que o desenvolvimento alcançado pelo ser na Terra, na idade de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de infância comparado ao que ele deve atingir. É preciso ter uma visão bem curta para nos considerarmos os protótipos da criação, e seria rebaixar a Divindade, acreditar que, além de nós, ele nada mais poderia criar.
BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS.