ANSIEDADE E PSICOLOGIA.
, Psicologia
e Espiritismo
Sérgio Biagi Gregório
Consultada.
1.
INTRODUÇÃO
O que se
entende por ansiedade? Qual a concepção da Psicologia? Qual o contributo de
Freud? Que subsídios a Psicologia e o Espiritismo podem nos oferecer para o seu
controle? Como um Centro Espírita pode prestar auxílio?
2. CONCEITO
Ansiedade. É
um intenso mal-estar físico e psíquico, acompanhado de aflição e agonia.
Figuradamente, desejo veemente e impaciente.
Na
Psicologia, a ansiedade pode variar de simples apreensão aos ataques de fobias,
melancolia e síndrome de pânico. Pode-se dizer que é um estado de agitação
motora e excitação intelectual, provocado por sentimentos de natureza penosa,
que se revela por movimentos desordenados, mas pouco variados, indicando medo,
angústia, desespero, pavor etc. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
3.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A ansiedade
e os termos correlacionados, tais como, medo, angústia, melancolia, síndrome de
pânico, não é somente de nossos dias, embora a correria do mundo moderno possa
provocá-la mais intensamente do que no passado.
Observe as pessoas dentro do ônibus ou metrô. A maioria não pára de mexer
nos seus aparelhos eletrônicos: parece que todos estão fugindo de si mesmos.
Inconscientemente, provocam os sintomas da ansiedade.
Acrescentemos,
também, as diversas preocupações de subsistência, de relacionamentos, de
compromissos assumidos. Quando não são devidamente administradas, elas geram
ânsia, que é a pressa para tudo resolver.
Todos, em
menor ou maior grau, estamos sujeitos à ansiedade: uns preferem racionalizá-la,
outros narcotizá-la e outros ainda evitá-la.
Diante de
uma adversidade, devemos nos preparar para “lutar-ou-fugir”. A fuga pode gerar
problemas futuros; a luta, embora penosa, pode gerar grandes benefícios.
4. ANSIEDADE
E PSICOLOGIA
4.1.
SINTOMAS DA ANSIEDADE
Fisicamente,
palpitações, rigidez do tórax, suor, sequidão da boca, aumento da vontade de
defecar ou urinar, dores de cabeça, tonturas.
Psicologicamente, sentimentos de medo, pânico e tendências para temas de
desgraças dominando os seus pensamentos. (Sheehan, 2000, p. 13)
4.2.
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
Transtorno
de ansiedade é “Um estado de ansiedade e apreensão contínua e irracional,
algumas vezes desencadeando um medo agudo que chega ao pânico, acompanhado por
sintomas de perturbação autônoma; com efeitos secundários em outras Ansiedade funções
mentais como a concentração, a atenção, a memória e o raciocínio”. (Sheehan,
2000, p. 13) Há cinco tipos: transtorno de ansiedade generalizada, transtorno
de pânico, transtorno de pânico com agorafobia, fobia social e fobia simples.
As causas
dos transtornos de ansiedade podem ser descritas: De uma lista de
aproximadamente 40 itens (com pontuação de 0 a 100), tais como, casamento,
férias, natal, ou seja, como passamos o nosso dia a dia, a morte do cônjuge
recebeu 100, o divórcio, 73, a separação conjugal, 65, a aposentadoria, 45.
(Sheehan, 2000, p. 25)
4.3. FREUD E
A ANSIEDADE
Na concepção
de Freud, a ansiedade é uma espécie de “sistema de alarme”, que nos previne do
perigo quando certas ideias estão a ponto de alcançar a expressão consciente.
Freud estabeleceu três tipos de ansiedade: moral, real e neurótica. A ansiedade
moral decorre da censura do superego; a ansiedade real, pela percepção de um
perigo que de fato existe; a ansiedade neurótica, expressa-se pelas fobias,
medo persistente e irracional. (Souza, s.d.p.)
5. TIPOS DE
AJUDA PSICOLÓGICA
Os
psicólogos desenvolveram alguns métodos com o propósito de ajudar os indivíduos
a manterem a ansiedade sob controle, uma vez que ela, em pequenas doses, é
bastante útil. Para tanto, falam-nos do relaxamento, das visualizações
criativas, da reeducação do pensamento, da programação Neurolinguística, da
hipnose etc. Vejamos alguns deles:
5.1.
RELAXAMENTO E AUTO-HIPNOSE
As pessoas
que sofrem os transtornos de ansiedade têm muita dificuldade de relaxar, pois
acreditam que o importante é estar sempre alertas e vigilantes. Não resta
dúvida que os benefícios do relaxamento são muitos: depois de praticá-lo as
pessoas relatam a mudança do tônus vital, do sono e da sua conduta diária.
A auto-hipnose assemelha-se à meditação, pois estimula o lado direito do
cérebro, parte responsável pela intuição e conhecimento interior. Na
auto-hipnose não se deve forçar o relaxamento, pois isso prejudica a
concentração. Deveríamos fazê-lo de acordo com o nosso ritmo, no sentido de nos
sentirmos confortáveis. (Sheehan, 2000, cap. 6)
5.2.
PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA
A
Programação Neurolinguística lida com o modo como estruturamos nossa
experiência subjetiva. Há pensamentos negativos tão enraizados em nosso
subconsciente, que temos dificuldade de nos libertar deles. Por isso, propõe-se
o método “pare”, no sentido de quebrar a seqüência deles em nosso consciente.
Um exemplo: Posso morrer durante um ataque de pânico. PARE! Enfoque positivo:
já passei tantas vezes por isso no passado e sempre sobrevivi. Isso é
totalmente inofensivo. (Sheehan, 2000, cap. 4)
5.3.
ENFRENTANDO A ANSIEDADE
Há
lembranças do passado que interferem de tal maneira no presente que absorve
toda a nossa energia mental. Para isso, a psicologia diz-nos que o passado já
está morto, mas que podemos interpretar aquelas lembranças com outras imagens.
O fato antigo não é o mesmo que recordamos hoje; ele tem uma interpretação
atual, mais positiva.
Para este enfrentamento, propõe diversos exercícios de visualizações mentais
no sentido de identificar o que está acarretando o problema e mudar para um
enfoque positivo, pois não se deve dar ordem negativa ao cérebro. Ele acaba
aceitando como positivo. Exemplo: dizer para uma criança não pegar o pedaço de
bolo que está na geladeira é dar-lhe a pista para pegá-lo. (Sheehan, 2000, cap.
7)
6. ANSIEDADE
E ESPIRITISMO
6.1. A
CODIFICAÇÃO ESPÍRITA
A
codificação espírita, como um todo, é um convite à paz e à harmonia interior,
antídotos da ansiedade. Especificamente, o capítulo V (Bem-Aventurados os
Aflitos), de O Evangelho Segundo o Espiritismo, oferece-nos subsídios valiosos
para o tratamento da ansiedade, pois fala-nos das causas e da justiça das
aflições, o que estimula o equilíbrio do nosso pensamento.
6.2.
ORIENTAÇÕES DO ESPÍRITO EMMANUEL
Ele nos diz
que as ansiedades armam muitos crimes e jamais edificam algo de útil na Terra.
Se o homem nascesse para andar ansioso, seria dizer que veio ao mundo, não na
categoria de trabalhador em tarefa santificante, mas por desesperado sem
remissão. Muitas ocasiões incitam-nos à ansiedade, porém pensemos com Pedro:
“Lança as inquietudes sobre as tuas esperanças em Nosso Pai Celestial, porque o
Divino Amor cogita do bem-estar de todos nós”. (Xavier, 1977, cap. 8)
6.3. O
CENTRO ESPÍRITA
O Centro
Espírita é a Universidade da alma. Nele, podemos encontrar auxílio para
qualquer tipo de dor. Suponha que a ansiedade seja acompanhada por influência
de Espíritos imperfeitos. Nesse caso, o diálogo com essa entidade pode
afastá-la do nosso convívio e nos dar calma para o nosso dia a dia. As
palestras evangélicas, os passes, os cursos de Espiritismo são outros tantos
alimentos para modificar os nossos reflexos condicionados infelizes.
7. CONCLUSÃO
Os estímulos
psicológicos e as orientações dos Espíritos superiores ajudam sobremaneira o
controle da ansiedade. Contudo, o trabalho maior compete a nós mesmos, pois
temos de “lutar-ou-fugir”.
8.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
GRANDE
ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial
Enciclopédia, [s.d. p.].
SHEEHAN, Elaine. Ansiedade, Fobias e Síndrome do Pânico: Esclarecendo as
suas Dúvidas. Tradução de ZLF Assessoria Editorial. São Paulo: Ágora, 2000.
(Guias Ágora)
SOUZA, Irene Sales de (org.). Dicionário de Psicologia Prática. Rio de
Janeiro: Esparsa, s.d.p.
XAVIER, F. C. Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB,
1977.
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