Altruísmo
Luiz Moreau Gottschalk, um célebre pianista e
compositor, visitando certa vez a cidade de Kingston, na Jamaica, entrou em um
templo exatamente no momento em que se realizava um culto.
O pastor falava a respeito da caridade. Pintava com
imagens fortes o estado a que tinham ficado reduzidas algumas famílias de uns
pobres náufragos perdidos, naqueles dias, durante uma grande tempestade no mar.
O ministro usava toda a sua eloquência para comover
o auditório, pedindo contribuições para remediar tanta desgraça.
Eram crianças órfãs, sem alimento. Eram viúvas, sem
abrigo. Eram mães idosas, sem ninguém mais que olhasse por elas.
Comovido, o compositor acercou-se de um órgão, num
dos ângulos do templo, sentou-se e deixou correr as mãos sobre o teclado.
Uma melodia de sabor religioso, tênue, triste,
apaixonada, que parecia um coro sublime, começou a envolver a assembleia.
A suavidade da composição era tal que não impedia
que todos continuassem a ouvir a voz do pregador que, dominado pela inspiração
da música, ardorosamente foi tecendo imagens, evocando Jesus e a necessidade de
amar o próximo.
Finalmente, ele concluiu a sua fala, fascinado,
como todos os circunstantes, pelas deliciosas harmonias que saíam do órgão.
A música foi se perdendo em notas divinas e
terminou. Então, o próprio pianista tomou seu chapéu, nele depositou algumas
moedas, percorreu todos os bancos, recebendo dos presentes valiosos donativos.
Quando chegou ao último banco, no fundo do templo,
viu uma senhora muito idosa alquebrada pelos anos, que trazia o rosto sulcado
por lágrimas.
Seria mãe de um dos náufragos? Uma viúva?
Sem pestanejar, ele esvaziou o chapéu no colo da
senhora e desapareceu, porta afora.
* * *
Onde anda a miséria? Por vezes, empreendemos
campanhas a favor de necessitados a respeito dos quais ouvimos falar e que se
encontram distantes de nós.
Muito justo e meritório. No entanto é importante
dar uma olhada ao nosso redor.
Existem pessoas muito necessitadas, mas que sofrem
caladas, constrangidas de expor as suas dificuldades. Por isso mesmo, ensina o
evangelho que o verdadeiro homem de bem é aquele que vai ao encontro da
necessidade, sem esperar que a miséria lhe bata à porta.
Para isso, é preciso ter sensibilidade e voltar os
olhos para os palcos do sofrimento.
Mesmo porque existem criaturas que, por sua própria
condição, sequer podem estender mãos para pedir, pois os braços estão
paralisados.
Há os que não podem erguer a voz para suplicar,
porque a tem afogada na garganta, pelas lágrimas da dor que nunca cessa.
Há os que desejariam alcançar alguém que os
auxiliasse, entretanto, as pernas lhes impedem andar.
* * *
A obra do bem em favor de todos precisa de muitos
braços e não exige títulos universitários ou recursos financeiros.
Aguarda, simplesmente, a vontade em ação, um
coração que sente, uma mente que idealiza, braços fortes que ajam, desde agora,
antes que a fome se transforme em enfermidade e a carência em miséria extrema.
Redação do Momento Espírita com base
no artigo Altruísmo
de um grande músico, publicado no boletim semanal
Luz do evangelho, de 10.03.2001.
Em 20.11.2009.
MENSAGEM DIVULGADA PELO MÉDIUM
GETULIO PACHECO QUDRADO.
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