LIVRO FALANDO A RAZÃO. CAPÍTULO. IV.
DESTINAÇÃO DA CRIATURA HUMANA.
Somos parte integrante da Família Universal. Mas dotados de livre
arbítrio, temos o direito de escolher o caminho que nos pareça melhor para nos
conduzir na vida. Se escolhermos bem o rumo que nos levará a sucessivos
objetivos, poupar-nos-emos das lutas mais árduas. Porém, se formos seduzidos
pelas paixões impostas pela carne, com enfraquecimento das forças espirituais,
gastaremos por conta do futuro, acumulando débitos que mais tarde terão que ser
pagos. No direito de escolha, justamente é onde reside o mérito decorrente de
boas ações, como, igualmente, a responsabilidade pelos erros cometidos.
Supor-se contrariamente, seria prova de nossa ignorância, sobre a Justiça de Deus.
A destinação da criatura humana, pelo Criador, é a vida eterna e a conquista de
virtudes que lhe permitam habitar em mundos cada vez mais elevados. Contudo,
que ninguém espere nada além daquilo que possa receber, como pagamento de suas
próprias obras. Com fundamento no "Orai e Vigiai", do Cristo,
recordemos sempre que cada um tem a sua própria história, e que dela constam,
até mesmo, os menores detalhes de nossa atividade, como bons ou maus obreiros.
Em cada fim de jornada, feita no corpo físico, teremos o nosso "Dia do
Juízo Final”; e é nessa oportunidade que daremos balanço do bem e do mal que
houvermos feito. Em oportunidade alguma jamais estará a criatura obrigada a
fazer ou deixar de fazer ao seu semelhante, senão aquilo que a sua consciência
aconselhar, e que as tendências forçarem a programar e executar. Perante as
Leis de Deus, somos todos iguais, mas, quanto ao pagamento, cada um receberá
segundo as suas obras, afirmou o Mestre. As fraquezas humanas não justificarão
os nossos erros, mas a ignorância poderá atenuá-los. Em cada ato a praticarmos,
devemos examinar primeiro, os efeitos que ele irá produzir, e se estes efeitos
não serão prejudiciais ao nosso companheiro de jornada. Imaginemos, sempre, que
somos espíritos, filhos de Deus, e, por isso mesmo, trabalhadores da sua casa,
que é o Universo, onde há muitas moradas, no dizer de Jesus. Estas moradas, que
são os planetas, representam a escala a percorrermos, de acordo com o progresso
que houvermos feito no aprendizado de cada etapa. Não será só o que fizermos que
fará parte de nossa história, mas também os pensamentos bons ou maus que
deixarem de ser concretizados por falta de oportunidade. Do mesmo modo, todas
as vezes que deixarmos de fazer o bem, embora isso tivesse sido possível, mas
que não o fizemos, por dureza de nossos corações, a nossa história não poderá
deixar de registrar, como débito. As oportunidades para fazer o bem ou o mal
são iguais para todos, e em razão disso é que cada um será premiado de acordo
com o valor de suas obras. Não esqueçamos que o melhor progresso será aquele
que beneficiar as coletividades. E daí o pequeníssimo valor das fortunas que
não socorrerem os sofredores que conosco palmilham a mesma estrada do
aperfeiçoamento espiritual. Em regra, tudo o que fazemos é sob o impulso do egoísmo!
Raramente objetivamos o bem coletivo, porque sempre estamos em primeiro lugar
para recebermos as vantagens de nossos próprios esforços, ou ainda, o que é
pior, dos esforços alheios. Logo, a nossa semeadura não tem sido boa, pelo que
se torna natural, que os frutos a colhermos também não sejam bons!...*A vida é
eterna e a humanidade é uma só. O Poder que preside os nossos destinos também é
um só, embora apresente aos nossos olhos um vasto mecanismo diretor, composto
de elementos celestiais, distribuídos por toda parte do Universo, com múltiplas
incumbências, no sentido de trazerem até nós elevarem aos povos de outros
planetas, mensagens alertadoras, que representam a vontade de Deus, em ver seus
filhos confraternizados e unidos por um mesmo desejo de perfeição.
Porém, não obstante as vozes celestes que se fazem ouvir, a humanidade
continua dividida em raças e castas de toda ordem, graças à vaidade e ao
egoísmo, ao orgulho e à inveja que dominam a maioria dos corações que
desconhecem o que possa representar em nosso favor, o amor pregado e
exemplificado por Jesus de Nazaré, quando habitou entre nós, na qualidade de
enviado da Divindade. Pobre humanidade, quanto mais pensas em riquezas
materiais, mais pobre te fazes dos bens do espírito! O saber, as posições de
mando e a fortuna material, não obstante representarem oportunidades para nos
elevarmos espiritualmente, só têm servido para comprometer o nosso futuro, por
nos termos deixado arrastar por uma ambição sem limites! Em face da conduta
comprometedora das pessoas portadoras de grande saber e fortuna terrena, a
pobreza tem estado desamparada, ludibriada em sua boa-fé, e grandemente
envenenada, por compreender o seu abandono e a torpe exploração pelos poderosos
da Terra, que vivem e se regalam à custa da miséria alheia!Deus não criou seus
filhos para se explorarem reciprocamente, mas para viverem e lutar por uma causa
comum. Esta causa é o progresso em benefício de todos, pelo desenvolvimento do
qual temos a dever de trabalhar conscientemente, senão quisermos sucumbir,
subjugados pelo peso de nossas próprias ambições, que a esta altura da vida
planetária já atingiu os limites da tolerância divina. Os da política, são as
vítimas de sua exploração, faliram em sua missão, tornando-se devedores da
Justiça Celeste, perante a qual terão que prestar suas contas, como réus que
serão julgados por suas próprias consciências, quando despertarem, após o fatal
retorno à vida espiritual.*Os que exercem atividades públicas, são cegos dos
próprios olhos da razão, que lhes envenena o organismo espiritual, a tal ponto,
que só pensam e realizam em seu
favor, por não poderem, assim, enxergar a humanidade toda e nela verem
os seus irmãos que a integram. Despertai, ó almas que conduzis destinos
alheios, e contemplai a pobreza que sofre as suas misérias em bens materiais,
porque ela é composta de irmãos vossos que pagam pelo que fizeram no passado
distante, como pagareis vós, no futuro, pelo que de mal fizerdes no dia de
hoje, esquecidos dos compromissos assumidos, antes de retornardes à Terra
acolhedora, onde já falistes por tantas vezes! Compreendessem todos os homens e
mulheres, que exercem atividades públicas na Terra, que o mandato que nos é
confiado é parte integrante do Mecanismo Celeste, por certo que bem outra seria
a sua conduta, que vem sendo adotada, com graves danos que terão que ser
reparados, por sofrimentos atrozes, quando compreenderem, na vida espiritual,
que faliram em sua missão de amor, por a haverem transformado em meios para
usurparem gozos que não mereciam. Temos sido vítimas de nossas más tendências,
sem darmos ouvidos às Vozes do Além, que bem de perto nos falam aos corações
empedernidos. Estas tendências que nos arrastam pelos escabrosos caminhos da
vida, já foram motivo de nossa perdição, porque, com elas, aumentamos a fome de
pobres crianças e de povos, escravizando consciências que conosco palmilhavam o
mesmo caminho, à procura de virtudes que foram trocadas pelos prazeres da carne.
Hoje, no entanto, aqui estamos novamente, para resgatarmos débitos acumulados
no pretérito que se perde na noite dos tempos, mas reincidindo mais uma vez nos
mesmos erros, como muito bem nos fazem crer as atividades dos que se entregam a
carreira pública, como daqueles que exploram as posições liberais, do comércio,
da indústria e do câmbio. Mas, como já disse acima, os limites de tolerância do
Criador já estão se esgotando, e os seus filhos recalcitrantes no erro, que não
esqueçam que o Cristo advertiu aos seus irmãos, que estes erros serão motivo
para muito pranto e ranger de dentes, para os seus autores que, na Terra, não
tendo mais lugar para a sua regeneração, serão conduzidos a mundos inferiores,
a fim de que sejam despertados pelo chicote do sofrimento.*
Vagava eu o olhar pela amplidão do Infinito, certa vez, interrogando a
Majestade Divina por que não éramos governados pelas pessoas mais capazes e,
sim, pelos mais audaciosos, que bem pouco se preocupam com a sorte das
criaturas que sofrem, como, igualmente, com a solução dos problemas de ordem
pública. Respondeu-me um mensageiro, também com uma pergunta, interrogando-me:
"Como faria você, se te fosse dado escolher alguém para dirigir uma legião
de demônios?" - Não tive dúvida em responder-lhe, esclarecendo que, se
isso me fosse possível, escolheria o demônio mais audacioso e mais severo, para
que pudesse ser obedecido. “Replicou-me ele: Pois é assim que também entendemos”.
Nessa ocasião recordava uma das grandes frases do imortal Rui Barbosa, que em
um de seus arroubos de oratória, afirmara, corajosamente, que cada povo tem o
governo que merece. É esta uma verdade incontestável, pois que, com Justiça
ninguém deverá ter mais do que merece. Em seguida, insistiu o mensageiro:
"O que não seria cabível, por não estar incluído no pensamento divino, é
que um anjo fosse escolhido para dirigir demônios." A sua lógica me
convenceu, aduzi. Mas que não se deduza, por esta lógica, que a nossa
destinação na Terra, quando conduzidos a postos diretivos, seja para
maltratarmos aqueles que, por força de circunstâncias, nos devam obedecer, porque
somente o Amor constrói para a eternidade. A regra geral, adotada pelos nossos
dirigentes, com ressalva de raríssimas exceções, é orientar a sua atividade, de
modo a colher as maiores e melhores vantagens, para satisfazer o seu egoísmo e
a sua vaidade, e desse modo se expandirem orgulhosamente perante as
coletividades que os cortejam e os incentivam ainda mais nesses sentimentos
negativos, com o propósito de merecerem as suas boas graças e, por essa forma,
conquistarem algumas migalhas para a sua vida de sofredores, aparentemente sem remédio.
A coletividade humana está dividida em duas partes, sendo que a menor é
integrada pelos que mandam, mas não dirigem, enquanto que a outra,
absolutamente maior, é constituída pelos que obedecem e sofrem as maiores decepções,
por acreditarem em homens e mulheres que compram o seu prestígio ao preço de
largas somas em dinheiro, que em regra foi amontoado à custa de ardis que se
tornaram causa da pobreza descambar para a miséria, para que os ricos se façam
ainda mais ricos, a ostentarem as pompas que deixarão na Terra, quando retornarem a vida espiritual, onde irão compreender
a sua grande indigência, por nada haverem acumulado da fortuna que nem a traça
e nem o rato roem, como igualmente não será consumida pela ferrugem do mundo em
que vivemos.*Os poderosos terrenos não sabem que a criatura humana, quando
perde a noção de sua própria dignidade, perde também o direito de se fazer
respeitar pelo seu semelhante. Acontece que o respeito consciente e espontâneo
nasce da autoridade moral, conquistada naturalmente pelas pessoas simples de
coração, mas equilibradas em suas atitudes. Este respeito é duradouro e gera o
princípio de harmonia que se transforma em fator de progresso coletivo. Esta
compreensão, em verdade, é o que ainda não existe, e daí o progresso egoístico
que se observa. Ao contrário, o respeito que conhecemos imposto pela autoridade
austera e orgulhosa não é respeito, mas receio, sofrido pelos que podem ser
castigados por múltiplas formas, com sofrimentos que eles evitam, fazendo-se
máquinas nas mãos de seus senhores, mas escondendo, sempre, no íntimo, um
sentimento de revolta, que acaba por comprometer a harmonia, e com isto
retardando o progresso. Além do mais, este sentimento negativo aguarda apenas
uma oportunidade para explodir com êxito, sacudindo o jugo de seus chefes, para
se dirigirem por si sós, mesmo que seja para enfrentarem uma vida com maiores
dificuldades, desde que possam desfrutar de uma liberdade por muitas vezes
sonhada, mas conhecida, apenas, como ideal remotamente realizável.
BIBLIOGRAFIA: O LIVRO FALANDO DA RAZÃO, DE AUTORIA DO CAPITÃO MANOEL
ALVES QUADRADO.
0 comentários:
Postar um comentário
ESTAMOS DISPOSIÇÃO DOS AMIGOS PARA ESCLARECER QUALQUER DÚVIDA.